Manuel Fragoso assume a presidência da ANAS, com Ivandra Vieira e Joana Tavares como Vogais Executivas. Nova Administração inicia funções num contexto marcado pelos desafios da escassez hídrica, alterações climáticas e necessidade de reforço do saneamento em Cabo Verde.
A Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) iniciou, no dia 13 de agosto, um novo ciclo institucional, com a tomada de posse do seu novo Conselho de Administração, presidido pelo engenheiro Manuel Adilson Fragoso e integrado pelas Vogais Executivas Ivandra Vieira e Joana Brito Mendonça Tavares.
A cerimónia de tomada de posse reuniu representantes do Governo, instituições públicas e privadas, parceiros do setor e colaboradores da ANAS, num momento que marca o início de uma nova etapa para a gestão da água e do saneamento em Cabo Verde.
Ao assumir funções, o Presidente do Conselho de Administração, Manuel Fragoso, destacou a responsabilidade associada à missão da ANAS e o papel estratégico da água para o desenvolvimento do país.
No seu primeiro discurso enquanto PCA, defendeu que a segurança hídrica deve ser entendida não apenas como uma questão ambiental, mas como uma condição para o crescimento económico, a justiça social e a resiliência climática de Cabo Verde.
“A ANAS é, antes de tudo, a guardiã do recurso mais estratégico da nossa nação.”
A partir desta visão, a nova Administração pretende trabalhar na diversificação das fontes de água, na descentralização e reutilização, no reforço da monitorização dos aquíferos e na proteção dos recursos subterrâneos, incluindo contra a intrusão salina.
A redução das perdas e o aumento da eficiência dos sistemas constituem igualmente prioridades, com recurso a soluções tecnológicas e a uma gestão cada vez mais baseada em informação e conhecimento.
Quatro prioridades para o setor
Ao conferir posse ao novo Conselho de Administração, o Ministro do Ambiente, Carlos Varela, destacou o contexto particularmente exigente em que a nova equipa inicia funções, marcado pelos efeitos das alterações climáticas e pela necessidade de reforçar a segurança hídrica do país.
O Ministro apontou quatro áreas prioritárias para a atuação da nova Administração:
1. Reforçar a gestão integrada dos recursos hídricos
A melhoria do conhecimento sobre a disponibilidade e o consumo de água, bem como o combate às perdas existentes nas redes, são considerados fundamentais para uma gestão mais eficiente e sustentável dos recursos.
2. Aprofundar a articulação entre água, energia e clima
Num país fortemente dependente da dessalinização e da bombagem, a transição para soluções energéticas mais sustentáveis assume particular importância. A incorporação progressiva de energias renováveis nestes processos poderá contribuir para reduzir custos e a dependência dos combustíveis fósseis.
3. Acelerar a expansão do saneamento e a reutilização segura das águas residuais
A expansão do tratamento das águas residuais e o seu aproveitamento, nomeadamente na agricultura e nos espaços verdes, integram esta nova abordagem. Num país onde a água é um recurso escasso, a água tratada deve ser vista como um recurso com potencial de utilização e não simplesmente como um resíduo.
Esta visão está também alinhada com a abordagem defendida pelo PCA, que considera o saneamento de forma integrada, incluindo o tratamento adequado das águas residuais e uma gestão sustentável dos resíduos sólidos, com potencial de valorização no âmbito da economia circular.
4. Fortalecer a governação, a transparência e a coordenação do setor
A nova Administração deverá igualmente reforçar a articulação com os municípios, operadores e demais intervenientes do setor, assegurar um acompanhamento mais próximo dos investimentos e trabalhar com metas claras e resultados verificáveis.
O Ministro destacou ainda a importância de preparar uma carteira de projetos maduros e tecnicamente consistentes, capaz de facilitar a mobilização atempada de financiamento climático, cooperação internacional e investimento privado.
Uma abordagem integrada para um desafio nacional
A água e o saneamento estão hoje diretamente ligados a várias dimensões do desenvolvimento de Cabo Verde: segurança hídrica, energia, alterações climáticas, saúde pública, ambiente e crescimento económico.
É neste contexto que a ANAS assume esta nova etapa, procurando reforçar o seu papel na gestão e regulação do setor e promover uma atuação cada vez mais integrada, eficiente e orientada para resultados.
A nova Administração reconhece que os desafios são grandes. Mas há também oportunidades para fazer diferente: investir em inovação, melhorar o conhecimento sobre os recursos disponíveis, reduzir perdas, reutilizar água, apostar em energias renováveis e fortalecer a cooperação entre os diferentes atores do setor.
Para o PCA, conhecer o verdadeiro valor da água é também garantir uma gestão mais justa, transparente e eficiente.
A ANAS inicia, assim, este novo ciclo com uma responsabilidade clara: contribuir para que Cabo Verde tenha maior segurança hídrica, melhores serviços de saneamento e uma gestão dos seus recursos cada vez mais preparada para os desafios do futuro.
Cuidar da água é cuidar do desenvolvimento de Cabo Verde.

